Bioquímica da Nutrição

Por uma Alimentação Saudável

Macro e micronutrientes


Os macronutrientes são necessários em grandes quantidades diárias e são a base dos alimentos que comemos. É importante comer quantidades equilibradas de carboidratos, proteínas e lipídeos, de modo que a dieta resulte em saúde para o organismo. Contudo, dietas mal formuladas contribuem para o efeito contrário, estando associadas a diversas doenças do mundo contemporâneo, como obesidade, hipertensão e diabetes.
Os carboidratos são a fonte energética primária para os seres vivos. Carboidratos podem ser digeridos e ter seus monossacarídeos oxidados para a produção de energia. O monossacarídeo mais comum é a glicose, que possui 6 carbonos e participa dos mais diversos processos metabólicos, como glicólise, glicogênese, via das pentoses fosfato e síntese de ácidos graxos a partir de acetil-CoA. Além de ser oxidada via glicólise-ciclo de Krebs-fosforilação oxidativa, a glicose pode ser armazenada em reserva limitadas de glicogênio muscular e hepático. O glicogênio hepático é fundamental durante as primeiras fases do jejum, quando a gliconeogênese cresce gradualmente em importância, para manter as taxas de glicemia. A nível celular, os carboidratos podem estar associados a outras macromoléculas, formando glicoproteínas e glicolipídeos. Na membrana celular, formam o glicocálix, estrutura importante na proteção e no reconhecimento celular, entre outros processos da biologia celular.
As proteínas participam da construção do corpo: formam elementos da matriz extracelular, como o colágeno, participam no transporte plamático de substâncias, como a albumina, e fazem parte das mais diversas estruturas celulares, como histonas associadas ao DNA, proteínas de membrana e filamentos componentes do citoesqueleto. As fibras musculares apresentam uma quantidade enorme de proteínas, devido à abundância de miofibrilas, principalmente filamentos de actina e miosina, que participam ativamente na contração muscular. As enzimas correspondem a outra função vital das proteínas: catalisam as mais diversas reações do metabolismo, diminuindo a energia de ativação das reações, de modo que sua velocidade seja compatível com a vida. As enzimas, devido a seu papel decisivo no metabolismo, estão submetidas a um mecanismo de regalação fina, seja por alosteria ou por ação hormonal, desencadeando cascatas de de modificação covalente ou interferindo na expressão gênica. As proteínas podem ainda ser utilizadas na produção de energia e podem derivar ou macromoléculas, como carboidratos e lipídeos. No jejum, proteínas do músculo são quebradas e seus aminoácidos componentes são submetidos a transaminações e desaminações, transferindo fontes de carbono para a gliconeogênese hepática. O produto final da degradação de aminoácidos é uréia, a qual é filltrada nos rins e excretada na urina.

Os lipídeos constituem a maior reseva energética do corpo. O tecido adiposo é especializado para o armazenamento e a mobilização de triacilgliceróis, em resposta a situações metabólicas. Os lipídeos provenientes da alimentação são degradados durante o jejum por diversos tecidos, como músculo cardíaco, músculo esquelético e fígado. Os ácidos graxos originados passam pela via de beta-oxidação, gerando coenzimas reduzidas e consequente produção de ATP. Os lipídeos também apresentam funções estruturais, estão associados à construção de membranas a partir de fosfolipídeos. São utilizados, ainda, para síntese de colesterol e de hormônios esteróides, como alguns hormônios sexuais. Além disso, ácidos graxos essenciais presentes na dieta dão origem a compostos que regulam diversos processos fisiológicos, como regulação da pressão arterial, dilatação de brônquios, contração uterina, reação inflamatória, manifestação de dor e febre e coagulação no sangue.



Os micronutrientes são necessários em pequenas quantidades, mas são essenciais para o bom funcionamento do organismo. São dividisos em vitaminas e sais minerais.
As vitaminas não são estocadas em níveis consideráveis, por isso, devem ser supridas continuamente pela dieta. São classificadas em dois grandes grupos: hidrossolúveis e lipossolúveis.
As vitaminas hidrossolúveis são as vitaminas do complexo B e vitamina C. São componentes de coenzimas, participando de diversas reações enzimáticas no organismo. O excesso dessas vitaminas não é danoso, pois elas podem ser eliminadas por meio da urina.
As vitaminas lipossolúveis incluem as vitaminas A, D, E e K. O seu excesso pode ser mais danoso, pois estas vitaminas são eliminadas mais lentamente. São derivadas do isopreno e ocorrem em alimentos ricos em gorduras, sendo transportadas por lipoproteínas no plasma. Assim como as hidrossolúveis, as vitaminas lipossolúveis também têm um papel de grande importância como coenzimas. A vitamina A está relacionda às reações da visão e diferenciação epitelial; a vitamina D apresenta ação hormonal na absorção de cálcio pelos ossos quando passa à forma ativa por radiação UV; a vitamina K atua na coagulação sanguínea, e a vitamina E, juntamente com as vitaminas A. C e D, tem função antioxidante, limitando o estresse oxidativo e a ação dos radicais livres sobre as estruturas celulares. As substâncias antioxidantes, presentes principalmente nos vegetais, atuam na prevenção do câncer e de doenças cardiovasculares.


Os minerais são íons inorgânicos - Ca2+, Na+, Mg2+, K+, Fe2+, fosfato - que atuam como cofatores enzimáticos, como nos centros Fe-S da cadeia transportadora de elétrons, e antioxidantes, além de participarem da composição de certas estruturas, como o cálcio depositado nos ossos. Os sais minerais são necessários diariamente na ordem de miligramas ou microgramas.
Referências:
Biquímica Básica - Marzzoco e Bayardo
Manual de Bioquímica com Correlações Clínicas - Thomas Devlin
Postado por Rafael e Alexandre.

Painel - Vegetarianismo

Painel - Vegetarianismo 2

Deficiências nutricionais comuns:

Proteína

Os vegetais contêm menos proteínas, com mais baixo valor biológico e menor digestibilidade em comparação à proteínas animais. Esse padrão é comum em frutas e vegetais amiláceos, pobres em proteínas. Contudo, leguminosas, cereais integrais, sementes e verduras apresentam considerável porcentagem de proteínas em sua composição. Alguns vegetais possuem teor baixo de aminoácidos específicos, outros não apresentam aminoácidos limitantes. A combinação de alimentos de grupos diferentes oferece todos os aminoácidos em ótimas quantidades; todos os aminoácidos essenciais estão presentes no reino vegetal. A proteína de soja apresenta valor biológico próximo ao de proteínas animais e é altamente digerível, apresentando alto valor nutricional.

Vitamina D

Promove a absorção de cálcio pelos ossos e dentes. Sua deficiência pode aumentar o raquitismo em crianças e a osteoporose em idosos. O status de vitamina D depende da exposição ao sol e da ingestão de comidas fortificadas e suplementos. A vitamina D3 é de origem animal. Mas vitamina D2 é acessível aos veganos em comidas fortificadas. A suplementação é recomendada para vegetarianos habitantes de altas latitudes, quando a exposição ao sol e a ingestão de alimentos fortificados não é suficiente.

Vitamina B12

Sintetizada apenas por microorganismos presentes em tecidos animais, esta vitamina deve ser suplementada por todos os vegetarianos estritos. A B12 está presente apenas em ovos, leite e carnes. Dependendo do tipo de dieta, grávida e crianças vegetarianas também podem ter indicação para o suplemento.

A B12 funciona como cofator em importantes reações enzimáticas, sendo fundamental para o correto funcionamento da divisão celular, fluidez da bainha de mielina formação do sangue e manutenção do sistema nervoso.

Na deficiência de B12, os níveis de dois compostos aumentam muito no sangue e podem ser medidos para o diagnóstico: homocisteína (Hcy) e ácido metilmalônico (MMA). O quadro mais freqüente é de anemia megaloblástica associada a problemas neurológicos. Na anemia megaloblástica, há diminuição da hemoglobina e macrocitose das células da medula óssea. A ela se somam, efeitos neurológicos, relacionados à desmielinização neuronal, parestesias, até distúrbios psiquiátricos. Além disso, a hiperhomocisteinemia é um fator de risco para a aterosclerose, que pode resultar em em sérias complicações cardiovasculares. Por isso, é importante que os vegetarianos tenham atenção para as necessidades de B12.

Ferro

Suas funções mais importantes estão no transporte de oxigênio no sangue (como parte da hemoglobina) e na transferência de elétrons no metabolismo energético (notadamente os citocromos). O ferro é absorvido na forma ferroso no trato intestinal e sua deficiência causa anemia, cujos sintomas mais frequentes são fadiga, palidez e fraqueza.

O ferro na carne e no sangue, forma heme, é mais fácil absorvido por mecanismo independente do que as formas não heme presentes em vegetais, leite e ovos. A absorção do ferro é aumentada por alguns aminoácidos, ácido ascórbico, ácidos orgânicos e açúcares, enquanto é prejudicada por fitatos, oxalatos e taninos, que formam hidróxidos insolúveis. Uma ingestão maior de ferro, associada a um consumo quase duas vezes maior de vitamina C em vegetarianos, pode diminuir os riscos de deficiência nesse mineral.

A absorção de ferro é determinada não só por fatores dietéticos, mas também pelo estado nutricional dos indivíduos. Estudos concluem que mais ferro é absorvido por indivíduos deficientes neste mineral do que em indivíduos normais.

Cálcio

Suas principais funções estão associadas à contração muscular, à liberação de neurotransmissores, além de atuar como mensageiro secundário na transdução de sinal para sinalização hormonal. Também constitui os dentes e os ossos, e sua deficiência pode ocasionar problemas ósseos como raquitismo.

O leite é o alimento com maior concentração e bio­disponibilidade de cálcio. As dietas vegetarianas são en­quadradas em dois grupos com relação à adequação desse mineral: as que incluem e as que não incluem leite e deri­vados na dieta.

A maior parte do cálcio dos alimentos de origem ve­getal está combinado a compostos inibidores de absorção, que incluem ácidos oxálicos e fítico, fosfato e fibras. Por isso, é importante ter uma fonte confiável de cálcio na dieta.

Zinco

O zinco é componente de metaloenzimas associadas ao DNA e ao RNA e de enzimas digestivas, e está associado com a insulina. Seu papel estrutural é estabilizar a estrutura quaternária das enzimas. Participa na concentração de aminoácidos neurotransmissores no cérebro e na armazenagem e secreção de hormônios. Sua deficiência pode causar retardo no crescimento, resultante da redução da biossíntese de ácidos nucléicos e, conseqüentemente, de proteínas e utilização de aminoácidos, o que impede divisão e crescimento celular. Fatore extrínsecos diminuem a biodisponibilidade de zinco, como o ferro não-heme, ácido etilenodiamina tetracético (EDTA), fibra dietética, ácido fítico, cálcio, cobre, entre outros.

O ácido fítico é um agente quelante que se liga ao zinco, formando um composto insolúvel no pH intestinal normal. O fitato é um ácido orgânico, que pode alterar o valor nutritivo do alimento onde está presente e também do alimento que não o possui, mas que é ingerido concomi­tantemente na dieta. Ele é encontrado em todas as proteí­nas de sementes, várias raízes e tubérculos.

Ômega 3

São ácidos graxos essenciais e devem ser incluídos na dieta alimentar, assim como o ômega 6. Podem ser encontrados nas sementes oleaginosas e óleos vegetais.

A ingestão do ômega 3 auxilia a diminuir os níveis de triglicerídeos e colesterol total, enquanto que o excesso dele pode retardar a coagulação sanguínea. É um importante mediador de alergias e processo inflamatórios, pois são necessários para a formação das prostaglandinas inflamatórias, tromboxanos e leucotrienos.

O Ômega 3 deve ser utilizado em maior quantidade pelos vegetarianos devido ao fato de que nessa dieta o organis­mo deve convertê-lo em ácido eicosapentaenóico (EPA) e docosaexaenóico (DHA), formas já presentes nos deriva­dos animais. Como a conversão desse ácido graxo é baixa em seres humanos, a ingestão deve ser otimizada.

O gráfico é parte de um estudo de avaliação da biodisponibilidade de minerais associada aos níveis de fitato nas refeições do Restaurante Universitário da UnB. Com base nos valores diários de referência, a refeição vegetariana e a onívora contribuem para mais de 30% das necessidades de ferro e zinco, em especial para o ferro, que chega a 95% das necessidades diárias. Contudo, a ingestão de cálcio nas duas dietas é baixa, menor que 25% dos valores diários.

Considerando a presença de fitato, o reduzido teor de zinco nas dietas pode representar um risco para a deficiência nesse mineral, principalmente para homens vegetarianos. Em relação ao cálcio e o ferro, a presença de fitato não significou risco de deficiência para os freqüentadores do RU.

Considerações sobre grupos especiais:

Dietas vegetarianas apropriadas , bem planejadas, satisfazem as necessidades nutricionais durante todos os estágios da vida.

Crianças

A amamentação é fortemente recomendaa para recém-nascidos. O leite materno vegetariano tem fórmula similar ao onívoro e contém todos os nutrientes necessários. Com fontes seguras de ferro, vitaminas D e B12, cálcio e zinco, o crescimento é normal.Uma dieta vegetariana também pode dar à criança hábitos alimentares mais saudáveis ao longo de sua vida. Há estudos que mostram que crianças vegetarianas são um pouco menores, mas estão dentro dos níveis normais de peso e altura.

Grávidas

dietas veganas para gestantes e lactantes devem conter fontes diárias de vitamina B12. A suplementação desta vitamina é indiscutível. Em caso de anemia, comum durante a gravidez, são recomendados suplementos de ferro. Dependendo da dieta, também é importante a ingestão constante de vitamina D e ácidos ômega3.

Atletas:

Dietas vegetarianas podem suprir as necessidades dos atletas profissionais, mas devem considerar o exercício. Recomendações protéicas são bem maiores, podem ser o dobro para esportes de força e resistência. Por isso, a dieta deve incluir derivados da soja, legumes, cereais, nozes e sementes, alimentos vegetais variados podem prover necessidades de proteína adequadas sem o uso de suplementos. Para mulheres atletas, devem ser supridas as necessidades de energia, gorduras, ferro e cálcio.


Bibliografia completa do Painel de Vegetarianismo

Referências: Padrão alimentar da dieta vegetariana. Patricia Couceiro, Eric Slywitch, Franciele Lenz.

Position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canada: Vegetarian Diets.

Dieta vegetariana e níveis de colesterol e triglicérides. Simone Grigoletto De Biase; Sabrina Francine Carrocha Fernandes; Reinaldo José Gianini; João Luiz Garcia Duarte. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Risco Cardiovascular em Vegetarianos e Onívoros: um Estudo Comparativo. Rita de Cássia Moreira de Almeida Teixeira, Maria del Carmen Bisi Molina, Eliana Zandonade, José Geraldo Mill. Universidade Federal do Espírito Santo – UFES.

Fisiopatologia da deficiência de vitamina B12 e seu diagnóstico laboratorial. Clóvis Paniz et al.

Plant proteins in relation to human protein and amino acid nutrition. Vernon R Young and Peter L Pellett.

Biodisponibilidade de minerais em refeições vegetarianas e onívoras servidas em restaurante universitário. Egle Machado de Almeida Siqueira; Juliana Frossard Ribeiro Mendes, Sandra Fernandes Arruda.

Vegetarian Nutrition. Joan Sabaté.

Postado por Rafael.

Painel - Vegetarianismo 1

O que é?

A definição mais adotada para o vegetarianismo é: regime alimentar segundo o qual nada que implique sacrifício de vidas animais deve servir à alimentação. Vegetarianos não consomem carne de qualquer tipo, mas podem incorporar em sua dieta alguns derivados de origem animal, como leite, laticínios e ovos. Existem diferentes tipos de dietas vegetarianas, que apresentam restrições específicas.

Os tipos mais comuns de vegetarianismo são: ovolactovegetarianismo, lactovegetarianismo e vegetarianismo estrito, este último exclui da dieta todos os alimentos de origem animal. O veganismo, por sua vez, vai além da alimentação, restringindo o uso de produtos de origem animal, como couro e lã, os produtos testados em animais e os espetáculos onde a exploração animal é motivo de entretenimento, como em touradas.

Os principais motivos para adesão ao vegetarianismo são relacionados à saúde, ética e aos direito dos animais, proteção ao meio ambiente, e religião, como o budismo e o hinduísmo no Oriente e o Adventismo do Sétimo Dia, por exemplo, no Ocidente.

Padrão alimentar:

Os padrões alimentares dos vegetarianos variam de maneira considerável. A alimentação dos ovolactovegetarianos é baseada em cereais, leguminosas, horta­liças, frutas, amêndoas e castanhas, laticínios e ovos e exclui carne, peixe e aves. O padrão alimentar do ve­getariano estrito é semelhante ao padrão do ovolac­tovegetariano, exceto pela exclusão adicional de ovos, laticínios e outros produtos de origem animal. As dietas vegetarianas, em geral, possuem menos calorias provenientes de gorduras e proteínas e mais de carboidratos.

Os cereais inte­grais compreendem os grãos produzidos com o mínimo de processa­mento, podem ser consumidos como pães, arroz e cereais em geral. Os cereais apresentam grandes quantidades de carboidratos e, por isso, constituem a base da pirâmide. Também apresentam considerávies quantidades de proteínas, tanto é que alguns vegetarianos consomem cereais na forma de análogos da carne, como o glúten do trigo. No mesmo patamar dos cereais estão as leguminosas e derivados da soja, devido ao seu alto teor de proteínas em relação a outros alimentos de origem vegetal.

Em seguida estão as hortaliças que, apesar da baixa quantidade de carboidratos, são abundantes em vita­minas, minerais, antioxidantes e fitoquímicos. As frutas são fontes fibras, além de diversos minerais, vitaminas e fitoquímicos.

Outro grupo de grande importância é formado pelas nozes, castanhas e sementes oleaginosas: são fontes concentradas de nutrientes como gorduras, fibras, vitaminas do complexo B, vitamina E, vitamina A, minerais e fitoquímicos. Os óleos vegetais (soja, canola, girassol) são fontes de gorduras poliinsaturadas e podem fornecer ácidos graxos essenciais. Alguns vegetarianos podem consumir proteínas provenientes do leite, que também constitui fonte primária de cálcio. Dependendo da dieta, outros vegetarianos podem consumir ovos como substitutos da carne, devido a suas proteínas de alto valor biológico.

Por último, há os doces, que são combinações de alimentos dos grupos já citados, devem ser consumidos de forma modearada.

Risco-benefício da dieta vegetariana e da onívora:

Estudos mostram associações da dieta vegetariana ao menor índice de doenças crônico-degenerativas e risco de mortalidade total, se comparada à dieta onívora. O risco mais elevado de câncer e doenças cardiovasculares em populações onívoras, em comparação aos vegetarianos, pode ser devido não só a um excesso de energia, de gorduras saturadas e colesterol, mas também a uma deficiência ou consumo escasso de fitoquímicos, antioxidantes e outros nutrientes encontrados nos vegetais.

Assim, as dietas baseadas principalmente em alimentos de origem animal podem causar com maior freqüência doenças do excesso, do desequilíbrio, e também da defici­ência de nutrientes encontrados nos alimentos de origem vegetal. O modelo ilustrado no gráfico contrasta a dieta onívora com a vegetariana, avaliando a contribuição de cada uma na prevenção de doenças do excesso e da deficiência de nutrientes. Pode-se observar uma relação mais favorável de risco-benefício para dieta vegeta­riana na prevenção destas doenças.

Benefícios:

Redução do colesterol

O colesterol ingerido está presente em grande quantidade nas gorduras animais presentes na carne e nos ovos. A hipocolesterolemia não é um problema, pois o organismo pode se adaptar e sintetizar colesterol a partir de acetil-CoA e NADPH como agente redutor. Contudo, hipercolesterolemia está associada à aterosclerose, isto é, deposição de lipídeos nas paredes arteriais e formação de placas denominadas ateromas. A aterosclerose é o mais comum tipo de arteriosclerose e pode levar, dentre outros problemas, ao infarto do miocárdio e a acidentes vasculares cerebrais.

Em pesquisa da Universidade Católica de São Paulo, taxas de colesterol total, triglicerídeos e LDL apresentam-se em decréscimo nos vegetarianos de acordo com o grau de restrição a produtos animais, atingindo os níveis mais baixos em veganos, os quais também apresentaram proporção HDL/colesterol total maior.

Estes resultados confirmam outras pesquisas e sinalizam para a relação entre baixos níveis lipídicos e dieta vegetariana.

Doenças cardiovasculares

As dietas vegetarianas incluem menor ingestão de gorduras saturadas, colesterol e maior concentração de folato, o qual reduz os níveis de homocisteína séricos. Fibras solúveis , antioxidantes, como as vitaminas C e E, e fitoquímicos podem reduzir os níveis de colesterol no sangue e diminuir o risco de aterosclerose. A proteína de soja apresenta fitoestrógenos, as isoflavonas, que reduzem o colesterol e podem aumentar os níveis de HDL no sangue. Tudo isso converge para um menor risco de doenças cardiovasculares.

Em pesquisa da Universidade Federal do Espírito Santo com 67 vegetarianos e 134 onívoros, os indivíduos vegetarianos apresentaram menor pressão arterial, menor glicemia de jejum e menores níveis de triglicérides e LDL no sangue. O gráfico presente neste estudo mostra a probabilidade de desenvolvimento de doença arterial coronariana em 10 anos para onívoros e vegetarianos. O vegetarianos com idade de 64 anos têm menos de 10% chance, considerada de baixo risco, enquanto os onívoros têm média maior que 20%, considerada de alto risco.

Obesidade

Estudos em geral mostram que os vegetarianos apresentam menores índices de massa corpórea (IMC), em especial os veganos. Com destaque para os veganos, seu peso é mais próximo dos valores desejados. Explica-se por diferenças no conteúdo de macronutrientes da dieta: o percentual de mais carboidratos e menos gorduras, associada a exercícios físicos, pode prevenir a obesidade. O alto conteúdo de fibras também pode promover sensação de saciedade.

Hipertensão

Estudos mostram que vegetarianos tem pressão arterial entre 5 e 10 mm Hg mais baixa em comparação com onívoros, mesmo quando o índice de massa corporal é similarUma redução na pressão sanguínea de apenas 4 mm Hg causa relevante redução na mortalidade em todos os casos. Os índices de hipertensão também são menores em comparação com onívoros. Isso é explicado por diversos fatores: menores IMC, hábitos de exercício, ausência de carne, proteína do leite, conteúdo de gordura, menor nível de colesterol, fibras e diferenças na absorção de cálcio, magnésio e potássio.

Diabetes mellitos tipo 2

Os índices de diabetes tipo 2 entre os adventistas estadunidenses são menores que a metade dos da população geral e, entre os próprios adventistas, vegetarianos apresentam índices menores. As explicações giram em torno de menor IMC e maior ingestão de fibras, que melhoram a sensibilidade a insulina. Hiperinsulinemia associada à obesidade e a diminuição da sensibilidade à insulina é menos comum, pois vegetarianos possuem menores IMC. Dietas vegetarianas possuem mais carboidratos complexos e fibras dietéticas do que onívoros. A presença de legumes na dieta torna mais lenta a absorção de carboidratos e retarda o aumento pós-prandial de glicose no sangue. Menores níveis de gordura, em especial a saturada, e de colesterol total diminui o colesterol sérico, um dos fatores da aterosclerose, que pode ser uma complicação da diabetes. Fibras alimentares em geral, em especial as solúveis, como gomas, pectinas e hemiceluloses, atrasam o esvaziamento do estômago, diminuindo a absorção de carboidratos no intestino. Também influenciam a liberação de hormônios no intestino, como GIP, que reduzem a liberação de insulina e aumentam a de somatostatina, diminuindo a absorção de glicose no intestino.

Câncer

Vegetarianos apresentam um risco menor de câncer se comparados à população em geral. Os casos menos incidentes em vegetarianos representam os cânceres do aparelho digestório, em especial os do colo. Estudos mostram que alta ingestão de carne e laticínios pode estar relacionada a câncer de colo, mama e próstata. Muitos fatores contribuem para a prevenção de câncer em vegetarianos. Alta ingestão de fibra está relacionada à proteção contra o câncer de colo, apesar de nem todas as pesquisas confirmarem isso. Vegetarianos têm menor concentração de ácidos biliares potencialmente carcinogênicos e menos bactérias intestinais que transformam ácidos biliares primários em ácidos biliares secundários carcinogênicos. Vegetarianos não consomem ferro heme, que forma fatores citotóxicos no colo aumentando o risco de câncer. Maior exposição ao estrógeno ao longo da vida tem sido relacionada a risco de câncer de mama. Pesquisas mostram que vegetarianos têm menor índice de estrógeno sérico na urina. Há evidências que meninas vegetarianas começam a menstruar mais tarde, o que pode reduzir a exposição do organismo ao estrógeno e reduzir o risco de câncer de mama. Além disso, fitoquímicos, como isoflavonas, também apresentam atividade anti-câncer, principalmente relacionados à mama e à próstata.

O gráfico mostra um estudo entre 1976 e 1982 sobre a incidência de câncer em 34200 adventistas da Califórnia. Em relação aos números esperados, adquiridos com base numa população externa, os adventistas tiveram menor risco geral de câncer, embora a redução tenha sido mais aparente em homens do que em mulheres.

Postado por Rafael.

Painel Galactosemia e Intolerância à Lactose


Painel Galactosemia e Intolerância à Lactose

Lactose = Glicose + Galactose
Enzima: Lactase

Produzida e armazenada nas células do intestino delgado

A deficência na produção dessa enzima pode causar:
•Intolerância a Lactose
•Diarréia Osmótica
•Mal-Estar
Incidência ao redor do mundo:







Tratamento:
•Evitar Leite
•Lactase sintética
•Leite deslactosado








Diferença entre Alergia e Intolerância à lactose
(Postado no Blog)

Metabolismo da Galactose















Tipos de Galactosemia:
Galactosemia tipo I:
•Déficit da Gal-1-P uridiltransferase
•Acúmulo de Gal-1-P, Galactose e Galactitol
•Diversos danos físicos
•Herança autossômica recessiva











Tratamento:
•Eliminar lactose e galactose da alimentação
•Suplementos alimentares
•Dieta restrita desde a gravidez

Galactosemia Duarte:
•Déficit parcial da Gal-1-P uridil transferase
•Assintomático, detectado através de exames
•Restrição alimentar até um ano e reintrodução
gradativa

Galactosemia Tipo II:
•Déficit enzimatico galactoquinase
•Autossômica recessiva
•Não comprometimento dos órgãos
•Enzima aldalose redutase transforma
galactose em galactitol
•Formação de Catarata
•Tratamento semelhante ao tipo I, porém com
dieta menos restrita
Galactosemia Tipo III:
•Déficit enzimático UDP- Galactose-4-
epimerase
•Muitos casos Assintomáticos, sem déficit
bioquímico
•Dieta infantil dependente de glicose
Diagnóstico:




Teste do Pezinho e Amniocentese




Postado por Felipe Ezequiel

Painel - Fenilcetonúria


A fenilcetonúria (PKU) é uma doença de caráter recessivo que ocorre devido a uma deficiência na enzima fenilalanina hidroxilase (PAH), representada ao lado, que catalisa a conversão de fenilalanina (Phe) em tirosina (Tyr). O portador dessa doença possui ou uma atividade residual dessa enzima (insuficiente), ou a completa ineficiência dela. Esse quadro leva a um acúmulo de Phe no sangue e em outros tecidos, assim como a consequente diminuição da concentração de Tyr no organismo, gerando efeitos variados no portador da doença, caso ela não seja tratada.
A Phe, ao se acumular, passa a participar de vias metabólicas de baixa ocorrência em pessoas normais. Ela pode reagir com o alfa-cetoglutarato, produzindo glutamato e fenilpiruvato, reação essa que é catalisada pela enzima fenilalanina transaminase. O fenilpiruvato, por ter uma estrutura semelhante à do piruvato, passa a competir com o mesmo pela enzima piruvato translocase, quie transporta o piruvato para dentro da mitocôndria. Essa competição acaba por restringir a produção de ATP a partir da glicose, sendo o ATP o único substrato oxidável para o cérebro. Uma outra proposta para explicar os danos causados ao Sistema Nervoso Central do portador da PKU foi feita a partir de estudos realizados por Bowden e McArtur, em 1972. A proposta alega que o fenilpiruvato inibiria a piruvato desidrogenase no cérebro. O fenilpiruvato é convertido também a fenilacetato e a fenil-lactato por descarboxilação e redução, respectivamente. Estes são apenas alguns dos mecanismos neurotóxicos da Phe e de seus metabólitos.
Os danos ao Sistema Nervoso são os mais variados. Entre eles, podemos citar a microcefalia, distúrbios de comportamento, convulsões, formação deficiente das bainhas mielínicas, podendo chegar ao retardo mental, quadro clínico mais grave da doença.
Além dos danos causados pelo acúmulo da Phe e de seus metabólitos, a baixíssima concentração ou ausência de Tyr também produz efeitos negativos no organismo. Por conta de sua ausência, a pigmentação da pele e cabelos do fenilcetonúrico fica comprometida, pois a reação de formação de melanina tem como primeira etapa a hidroxilação da Tyr, catalisada pela enzima tirosinase.




O diagnóstico da doença deve ser feito o quanto antes, para que já se possa dar início ao tratamento. Ele é feito através do teste do pezinho no recém nascido. É necessário que o bebê se alimente do leite materno nos períodos precedentes ao teste, para que possa ser feita uma análise da metabolização da Phe. Esses exames geralmente são feitos entre as primeiras 24 horas de vida até uma semana após o nascimento.
O tratamento consiste basicamente na dietoterapia, já que a PKU não tem cura. O portador da PKU deve ter uma dieta com alimentos de baixo teor de Phe, evitando que ocorra o seu acúmulo. Por conta disso, ele terá uma alimentação pobre em proteínas, semelhante a uma dieta vegetariana. Além disso, uma mistura de aminoácidos livres é utilizada em associação com a dieta, para suprir algumas necessidades metabólicas do organismo, como a síntese protéica e a produção de Tyr.
Essa dieta deve ser seguida rigorosamente, principalmente no período da infância. A sua descontinuação nesse período pode levar o portador àqueles danos no Sistema Nervoso citados anteriormente, podendo inclusive gerar perda de QI.
Por conta do rigor que a dieta impõe ao fenilcetonúrico e dos alimentos em sua maioria pouco palatáveis, os portadores sentem muita dificuldade em segui-la, principalmente as mulheres grávidas e as crianças. Uma alternativa ao uso da mistura de aminoácidos livres, uma pesquisa feita no Japão nos anos 70 desenvolveu um composto de hidrolisados protéicos livres de Phe. A grande vantagem desse composto é que ele é incolor e inodoro, podendo então ser adicionado a receitas mais aceitas principalmente por crianças, como bolos e chocolates.


Bibliografia:

-Marzzoco & Torres - Bioquímica Básica - Terceira Edição - editora Guanabara Koogan


Este vídeo é um "resumo musical" das principais considerações acerca da PKU, originalmente feita para estudantes que iam prestar o USMLE. Obviamente ele não possui todas as informações sobre a PKU, mas chega a ajudar no entendimento do mecanismo da doença:

-http://www.youtube.com/watch?v=1gaDFPOn-mw


Postado por Tiago Alencar



KUVAN - Novo Remédio no Tratamento da PKU


Em março de 2008, foi aprovada nos Estados Unidos o KUVAN, uma droga que auxilia no tratamento da PKU. Segundo informações do fabricante, o KUVAN potencializa a ação da fenilalanina hidroxilase, ou seja, é recomendado para pacientes que tenham uma atividade residual da enzima, e não a sua completa inatividade. Isso leva a uma diminuição dos níveis de Phe no sangue. Todavia, o KUVAN não elimina a necessidade da dieta de baixo teor fenilalaneninêmico. Ele deve ser utilizado em associação à dieta do fenilcetonúrico. Alguns efeitos colaterais ao uso do medicamento foram identificados, como dor de cabeça, diarréia, vômitos, náusea, entre outros.
Este é o link para o vídeo sobre o KUVAN, que está no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=Or50m7xANTI

E este é o link da página na internet do KUVAN, com várias informações mais específicas sobre o medicamento:
http://www.kuvan.com/Index.aspx


Postado por Tiago Alencar

Associação entre dieta e doenças crônicas em estudo com adventistas do sétimo dia


A pesquisa avaliou 34.198 adventistas durante 6 anos, sendo 49,2% onívoros, 29,5% vegetarianos e 21,2% semi-vegetarianos, e avaliou as relações da dieta de cada grupo com doenças, em especial câncer e infarto do miocárdio, e mortalidade geral.
O risco de infarto do miocárdio fatal em homens relacionou-se significantemente com o consumo de carne. Contudo, esta associação não foi relevante em mulheres. O alimento da dieta mais relacionado com a redução do risco de infarto do miocárdio em geral foi as nozes. Em segundo lugar na prevenção dessa doença cardíaca, veio o pão integral. Os cânceres de próstata e de colo foram significantemente mais comuns nos adventistas onívoros. O risco de câncer de próstata foi 54% maior nos onívoros, enquanto o câncer de colo apresentou risco de incidência 88% maior nos onívoros em comparação com os adventistas vegetarianos. Associações dos diferentes tipos de dieta com a incidência de câncer de mama não foram estatisticamente significantes. Além disso, o consumo de frutas foi relacionado inversamente ao câncer de pulmão nessa população adventista, em sua maioria não fumante.
Em resumo, os dados sugeriram que fatores dietéticos tiveram influência na longevidade e no número de doenças crônicas. Foi verificado que os vegetarianos tiveram menores riscos de hipertensão, diabetes, artrite, câncer de colo e de próstata, infarto do miocárdio fatal em homens e mortalidade geral. Vegetarianos podem ter tido menores riscos de doenças devido à restrição da carne e/ ou maior consumo de frutas, legumes e nozes.
Alimentos de origem vegetal apresentam maior quantidade de fibra dietética, gorduras insaturadas, fitoesteróis e antioxidantes, como arscorbato e carotenóides, relacionados a menores níveis de colesterol e proteção contra câncer colorretal. Os alimentos de origem vegetal têm maior quantidade de colesterol e gorduras saturadas, muitas vezes associados a problemas cardiovasculares. Esses fatores de composição dos alimentos da dieta podem estar associados à prevenção ou ao maior risco de determinadas doenças.

Risco relativo de infarto do miocárdio fatal X consumo de carne

Risco relativo de infarto do miocário X consumo de noz

Risco relativo de câncer de pulmão X consumo de frutas
Referências: Associations between diet and cancer, ischemic heart disease, and all-cause mortality in non-Hispanic white California Seventh-day Adventists. Gary E Fraser.

http://www.ajcn.org/cgi/content/abstract/70/3/532S

Postado por Rafael.

Nutrição e Sociedade


Os seres vivos, pelo menos os que conhecemos, necessitam de energia para manterem a homeostase corporal. A alimentação é um dos principais objetivos da vida, por ela animais travam diárias batalhas para se alimentarem ou para alimentarem suas crias, nem sempre o mais forte ou o mais inteligente sai vencedor dessas batalhas, mas sim aquele que é capaz de se adaptar as mais diversas condições impostas pela natureza.
O ato de se alimentar é social, para muitas espécies caçar e se alimentar em bando foi mais uma estratégia que proporcionou maior eficiência e segurança ao grupo. O ser humano, sendo um ser social, se alimenta não só para suprir suas necessidades fisíológicas, mas também, devido as diversas impressões propiciadas pelos seus sentidos.

A pisquê individual está intimamente ligada aos prazeres ou disprazeres que o alimento gera. Certos alimentos nos fazem lembrar bons momentos, outros, por sua vez, ativam memórias não tão agradaveis, conjunto de informações são desencadeadas por neurotransmissores que nos causam as mais diversas sensações.

Hipócrates, o pai da medicina, já reconhecia a importância de uma boa alimentação, "Que seu alimento seja seu remédio, que seu remédio seja seu alimento", o legado da civilização grega foi muito maior do que apenas bons hábitos alimentáres, foi a criação de um estilo de vida saudável, onde o culto ao corpo era representado na religião.

Com a mudança filosófica, em grande parte influênciada pelo cristianismo, os que utilizavam a fonte da saúde, ou seja os alimentos, passaram a ser severamente punidos pela igreja, muitas vezes pagando com a própria vida, sendo denominados bruxos e servidores de satã.

O Renascimento promoveu novo fôlego aos estudos ciêntificos, mas foi no Iluminismo com o francês Antoine Lavoisier, considerado o "Pai da Nutrição", que os estudos sobre as propriedades químicas e biológicas dos alimentos foram efetivadas e posteriormente, com a evolução dos mecanismos de observações microestruturais, foi possível o estabelecimento de relações dos nutrientes e seu papel biológico.

Bons hábitos alimentares associados a uma vida equilibrada são fundamentais na prevenção de diversos males, incluindo a obesidade que no Brasil atinge cerca de 8,9% dos homens 13,1% das mulheres. Só agora estamos começando a entender o que Hipócrates já dizia a quase vinte e cinco séculos.





Postado por Felipe Ezequiel

Mitos e verdades sobre as proteínas vegetais

As plantas utilizam a energia solar para auxiliar o metabolismo fotossintético e são a base das cadeias alimentares, constituem fonte primária de carbono, vitaminas, minerais, proteínas e ácidos graxos essenciais. Numa perspectiva global, tem-se que 65% das necessidades protéicas humanas são supridas pelas plantas, enquanto os outros 35% derivam de proteínas animais. Contudo, nos países industriais a proteína consumida é predominantemente de origem animal, enquanto nos países de economia agrícola acontece o inverso. Nos EUA, 70% das proteínas da dieta são de origem animal, já nos países da Ásia oriental este percentual pode ser menos de 20%.
Young e Pellett analisaram o método PDCAAS adotado pela OMS (Pontuação de Aminoácidos Corrigida pela Digestibi¬lidade de Proteínas), que corrige os escores de aminoácidos, e verificaram que a deficiência de proteína em populações vegetarianas não se confirma em estudos populacionais e nem em grupos reduzidos de in¬divíduos. Conceitos mais antigos baseados em experimentos com animais não consideraram as diferenças entre ratos e humanos, criando uma visão equivocada de que proteínas como a da soja, por exemplo, são de baixa qualidade. Estudos mais recentes, com aplicações diretas no metabolismo humano, revelaram que estas proteínas podem ser de alto valor nutricional.É verdade que as concentrações de proteína e a qualidade de algumas proteínas de origem vegetal são menores que o adequado, mas misturas de proteínas vegetais provenientes de alimentos diferentes potencializam seu valor nutritivo. Por exemplo, soja tem pouca quantidade de aminoácidos com enxofre, enquanto os cereais são deficientes principalmente em lisina. Assim, a combinação da soja, que tem bastante lisina, com um cereal como o milho, que contém boa concentração de aminoácidos com enxofre, resulta em completa adequação nutricional.
Young e Pellet descrevem mitos e verdades sobre as proteínas vegetais, resumindo as conclusões obtidas no estudo.
Mitos:
1) Proteínas vegetais são incompletas (carência de aminoácidos)
2 ) Proteínas vegetais não são tão boas como as proteínas animais
3) Proteínas de diferentes plantas devem ser consumidas juntas na mesma refeição para atingir alto valor nutricional.
4 ) Procedimentos feitos a partir de experimentação animal fornecem índices confiáveis do valor nutricional de proteínas em humanos.
5) Proteínas vegetais não são bem digeridas.
6 ) Proteínas vegetais sozinhas não são suficientes para atingir as necessidades protéicas de uma dieta adequada.
7) Proteínas vegetais contém aminoácidos desbalanceados e isso limita seu valor nutricional.
Verdades:
1) Alguns vegetais protéicos podem ter quantidades menores de aminoácidos específicos. Combinações de alimentos vegetais de grupos diferentes fornecem todos os aminoácidos necessários.
2 ) Qualidade depende da fonte e das combinações de proteínas vegetais: pode ser equivalente a proteínas animais de alta qualidade.
3 ) Proteínas não precisam ser consumidas em uma mesma refeição, o balanço durante todo o dia é de maior importância.
4) Procedimentos de experimentação animal podem ser úteis, mas subestimam a qualidade nutricional de proteínas vegetais para humanos.
5 ) Digestibilidade pode variar de acordo com a fonte alimentar e modo de preparo da comida: digestibilidade de alguns vegetais pode ser alta.
6 ) A ingestão de aminoácidos essenciais é crucial e pode ser suprida a partir de fontes vegetais apenas, ou fontes vegetais associadas a fontes animais.
7) Não há evidência que esse balanço de aminoácidos seja importante: possível desbalanceamento pode ser criado por suplementação inapropriada de aminoácidos, mas isso não é um problema prático.

Referências: Plant proteins in relation to human protein and amino acid nutrition. VR Young and PL Pellet. http://www.ajcn.org/cgi/content/abstract/59/5/1203S
Figura: http://img504.imageshack.us/img504/8682/protenaqc3.jpg
Postado por Rafael.

Painel - Dietas da Moda













Com a incidência cada vez maior de casos de obesidade e com o próprio fator vaidade, perder peso tornou-se ao mesmo tempo uma questão de saúde pública e uma questão cultural. Uma infinidade de dietas surgiu com essa situação, a maioria com uma característica em comum, a redução ou a supressão de um grupo alimentar. Mais do que emagrecer, procura-se com essas dietas outros benefícios, como o controle glicêmico, evitar doenças cardiovasculares, enfim, uma vida saudável. Algumas dessa dietas tem um forte caráter popular. A dieta da lua, por exemplo, propõe que da mesma forma que a lua tem efeito sobre as mares, ela também tem influência no líquidos corporais. Em períodos de mudança de fase da lua, o seguidor da dieta deve permanecer por 24 horas se limitando a líquidos, suco e sopa. Outra dieta interessante, que também não possui embasamento científico é a dieta das cores. Segundo essa dieta, quanto mais coloridos forem os alimentos que a pessoa ingerir, mais saudáveis eles serão.

Inúmeras dietas têm sido analisadas, mas talvez as dietas low carbohydrate sejam as que mais têm provocado o interesse dos estudiosos atualmente. Essa dieta, como o nome sugere, preconiza a redução do consumo de carboidratos a valores ínfimos. A dieta cetogênica talvez tenha sido a primeira dieta desse gênero. Introduzida na década de 20 para o tratamento de pacientes com crises epilépticas, ela é ainda mais radical do que uma dieta low carb tradicional, pois todo o carboidrato é cortado da alimentação do paciente. Proteínas e principalmente lipídios são a base da dieta e juntamente com a ausência de carboidratos pretende-se promover o aumento da concentração de corpos cetônicos no sangue desses pacientes. Acredita-se que com isso o cé

rebro sofra um processo de adaptação em relação aos principais compostos utilizados como fonte de energia, sendo os corpos cetônicos utilizados ao invés da glicose e, dessa forma, evitando crises epilépticas que antes eram mais recorrentes.


Com a publicação do livro Dr. Atkins New Diet Revolution, as d ietas low carbohydrate talvez tenham ganhado seu maior expoente. A partir da década de 50 surgiram recomendações a cerca da diminuição da ingestão de gorduras. Na década de 70, porém, a obra do doutor Robert Atkins gerou surpresa tanto por parte do meio acadêmico, quanto popular, ao criar uma dieta que permitia uma alimentação sem restrições calóricas, mas com restrições nos níveis de carboidratos. A dieta é dividida em quatro fases: A primeira, a mais restritiva, limita a 20g a ingestão de carboidra tos, sendo saladas e outros vegetais permitidos. A segunda, a fase de perda de peso, permite a adição de alguns carboidratos em taxas de 5g por semana. Essa fase dura até o momento em que se para de perder peso e se descobre o consumo limite de carboidratos. A terceira fase é uma fase de transição e nela é permitido o aumento do consumo em uma taxa de 10g por semana caso se deseje interromper a perda de peso. A última fase permite uma seleção maior de alimentos e com perda de peso. A lógica dessa dieta é o controle dos níveis de insulina a partir do controle do consumo de carboidratos. Qua ndo se ingere carboidratos em porções maiores que as necessidades energéticas, o hormônio insulina se compromete a acumular esse excesso na forma de gordura. Com uma alimetanção baseada em gorduras e proteínas, a liberação de insulina pelo pâncreas será reduzida, o que é conveniente, pois o acúmulo de gorduras também será reduzido e em momentos de jejum essas reservas serão degradadas. Pode se questionar sobre a liberdade que a dieta confere em relação a quantidade de alimentos ingeridos. A resposta é que as proteínas promovem saciedade muito mais facilmente do que carboidratos e gorduras , dessa forma, por mais que a pessoa queira comer, ela não terá vontade.

Já está comprovado que a dieta de atkins causa reduçã
o de peso, mas não é só esse benefício que se espera dela. Seguindo as quatro fases da dieta é possível determinar a quantidade de ingestão limite de carboidratos e conseguir com isso uma relativa manunteção do peso. Além disso, a dieta tem sido aconselhada no tratamento de pessoas com diabetes tipo 2, justamente devido ao controle da insulina. A dieta, porém, tem suas desvantagens. Com a degradação das reservas na forma de gordura, substâncias conhecidas como corpos cetônicos são produzidos no fígado. Estas são destinadas a vários orgãos, como coração e cerébro(que não pode oxidar ácidos graxos para obter energia), para fornecer energia. A cetogênese, no caso dessa dieta, promove a chamada boa cetose, mas o incoveniente se encontra no mau hálito devido a produção excessiva de acetona. A dieta é pobre em fibras, o que pode gerar outro problema, a constipação intestinal. E a possível sobrecarga dos rins, devido ao grande consumo de proteínas, pode levar a condições de pedras nos rins e infecções nesses orgãos.

Uma versão mais branda da dieta de atkins foi desenvo
lvida pelo cardiologista Arthur Agatson, a dieta de south beach. Agatson, também professor de uma universidade de Miami(dai o nome da dieta) desenvolveu a dieta inicialmente para tratar doenças cardiovasculares, mas percebeu que era possível perder peso com ela. A proposta da dieta não é de restringir o consumo de nenhum grupo de alimentos, mas sim descobrir quais são os "bons" carboidratos e gorduras. Assim como a dieta de atkins, a dieta de south beach também tem suas fases. A primeira fase, a mais restritiva, prevê uma perda de até 5 kilogramas em duas semanas a partir da retirada de praticamente todos os carboidratos. Na segunda, alguns alimentos são reintroduzidos, como frutas e alguns alimentos a base de amido. Essa fase deve durar até a pessoa atingir o peso desejado. A terceira e última fase consiste em uma manutenção das fases anteriores e deve ser seguida para o resto da vida.

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine co
mparou três dietas - dieta low carb, dieta low fat e dieta do mediterrâneo - durante dois anos. O estudo mostrou que a dieta mais eficaz das três na perda de peso é a dieta low carb. Apesar desse resultado, muito ainda deve ser estudado para que se chegue a resultados mais concretos.


Bibliografia: http://www.sbnpe.com.br/revista/V22-N1-73. pdf

http://content.nejm.org/cgi/content/full/359/3/229

http://content.nejm.org/cgi/content/short/348/21/2082


http://saude.hsw.uol.com.br/dieta-atkins6.htm

http://saude.hsw.uol.com.br/como-perder-peso-com-uma-dieta-de-baixos-carboidratos5.htm


Postado por Alexandre Antunes

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Número de animais mortos no mundo pela indústria da carne, leite e ovos, desde que você abriu esta página. Esse contador não inclui animais marinhos, porque esses números são imensuráveis.

Bem Vindo ao Blog

Somos alunos do primeiro semestre de medicina da Unb cursando a matéria Bioquímica e Biofísica. Esse blog faz parte de uma série de outros, todos relacionados a bioquímica, mas com outros temas. Bioquímica da Nutrição é o nosso e pretendemos trazer novidades de forma leve e interessante.
Bon Apetit!